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sábado, 15 de junho de 2013

Adesivo microscópico pode substituir seringa na aplicação de vacinas





Uma nova tecnologia para a aplicação de vacinas foi apresentada ontem em Edimburgo, na Escócia, durante o Fórum TEDGlobal. A técnica, que descarta as seringas, consiste em um adesivo microscópico colado à pele, mais econômico e eficiente do que a forma usada hoje para ativar o sistema imunológico.



A quantidade de vacina demandada pelo adesivo é 100 vezes menor do que a aplicada com a seringa. Com isso, seu preço pode ser reduzido em até dez vezes, facilitando seu acesso nos países em desenvolvimento. O novo produto também evita a possibilidade de contaminação causada por instrumentos sujos.



Milhares de pequenos fragmentos do adesivo entram em contato com células epidérmicas. A vacina penetra no organismo em sua forma seca e mais eficiente.



A resistência da nova tecnologia a uma temperatura de até 23 graus Celsius é mais um diferencial. As vacinas tradicionais, normalmente líquidas, precisam ser refrigeradas no transporte entre laboratório e clínicas.



Segundo os pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, autores do estudo, o adesivo desenvolvido resolve problemas como o visto na África, onde metade das vacinas não pode ser administrada corretamente porque, em algum estágio, há problemas com sua refrigeração.



Assessoria de Comunicação CRF-SP (Com informações do O Globo)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Mercúrio em vacinas só faz mal para crianças ricas?

Em janeiro deste ano, representantes de 140 países se reuniram em Genebra, na Suíça, para aprovar o texto final de um tratado ambiental que pretende restringir o uso e as emissões globais de mercúrio em produtos e processos industriais que utilizam o metal pesado, nocivo para a saúde e para o meio ambiente.

Até 2020, o acordo deverá banir a produção, exportação e importação de certos tipos de lâmpadas fluorescentes, a maioria das baterias, pilhas, cimento, cosméticos, além de termômetros e aparelhos para aferir pressão arterial que utilizam a substância.

O documento, que estará aberto para assinaturas em um reunião no Japão, em outubro, ficou conhecido como Convenção de Minamata, em homenagem à cidade japonesa que sofreu com a contaminação de suas águas por mercúrio na década de 20.

Mercúrio em vacinas para crianças

Apesar de considerado um avanço, o tratado deixou de fora um produto utilizado em larga escala: as vacinas para crianças.

Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, as doses de vacinas infantis são conservadas com uma substância chamada timerosal, à base de mercúrio.

"Nações ricas como países da Europa, Estados Unidos e Canadá, já não usam mercúrio para preservar vacinas infantis", afirma José Dórea, professor da UnB (Universidade de Brasília), que é uma das maiores referências mundiais em pesquisas sobre o uso do metal pesado na área da saúde.

O professor Dórea esclarece que o mercúrio pode ser particularmente nocivo para o feto, recém-nascidos, crianças e mulheres grávidas.

"Esse grupo é mais vulnerável a qualquer substância, porque é um estágio delicado de desenvolvimento do sistema nervoso central", explica.

Estudos do próprio pesquisador sugerem que pequenas doses de mercúrio em vacinas para crianças podem impactar no desenvolvimento motor e intelectual a longo prazo.

"Não falamos de consequências debilitantes, como deixar de andar ou dirigir um carro", ressalva. "Trata-se do desenvolvimento de suscetibilidades para alterações do comportamento, de inteligência, coisas que ao longo da vida trazem desvantagens."

O especialista afirma que não há riscos evidentes para adultos. "Para esse grupo, a dose relacionada por peso, nesse momento, não apresenta nenhum problema", explica.

Crianças pobres e ricas

O professor Dórea ressalva que, em casos emergenciais, não se pode prescindir do mercúrio como conservante para vacinas.

"O problema é o uso regular, sistemático e progressivo", diz. "Se houver um surto, uma epidemia, e for necessário que a vacina seja preservada com o timerosal, ninguém vai discordar", exemplifica.

José Dórea argumenta que a Convenção de Minamata evidenciou a diferença de tratamento entre crianças de países ricos e pobres.

"O que faltou nesse tratado foi uma cláusula que garantisse a simetria entre as crianças do mundo", diz. "As crianças ricas podem receber um tipo de vacina e as pobres podem receber outro, sem problemas?"
"Somos a quinta economia do mundo, não temos problemas de dinheiro. Devemos desejar para nossas crianças o que os países ricos desejam para as delas", acrescenta o pesquisador.

Para Dórea, o debate deve ser levado às autoridades sanitárias brasileiras. "Ninguém fala nisso, é como se não existisse", diz. "As autoridades deveriam dizer para a população não se preocupar, se o mercúrio não é um problema. Por outro lado, se não é um risco, por que existe um tratado internacional?"

Valores diferentes

"O mundo todo já abandonou essa prática, mas o Brasil continua a gastar dinheiro em vacinas baratas, que obviamente têm que vir em embalagens múltiplas, que requerem preservativos", continua o professor.

José Dórea lembra que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já proibiu o uso de merthiolate, outro produto a base de mercúrio, utilizado para tratar ferimentos externos, mas permitiu que a substância continuasse nas vacinas.

"O que parece é que não ligamos para o bem-estar dos nossos compatriotas", observa. "Achamos que as coisas lá fora são melhores e, realmente, são. Por que não imitamos o que eles têm de melhor?"

Fonte: Diário da Saúde

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Vacina antidengue tem apenas 30% de sucesso

Apesar do resultado decepcionante, droga de fabricação francesa dada a 4 mil crianças tailandesas protegeu contra 3 dos 4 tipos de vírus.
 A vacina mais avançada do mundo contra a dengue, em desenvolvimento pela farmacêutica francesa Sanofi, teve desempenho decepcionante em um teste clínico de larga escala realizado na Tailândia: sua eficácia foi de apenas 30,2%, índice bem abaixo dos 70% esperados a princípio.



O resultado ruim torna incerto o futuro do produto, que, segundo afirmações anteriores do fabricante, poderia gerar uma receita de mais de 1 bilhão por ano. Entretanto, pesquisadores apontam que pela primeira vez foi provado que uma vacina segura contra a dengue pode vir a ser desenvolvida.


A baixa porcentagem de sucesso da vacina se deu porque ela falhou em proteger contra um dos quatro tipos de vírus da dengue, o 2 - justamente o mais comum na Tailândia na época do teste. Uma pessoa que contraia um dos tipos de dengue não se torna imune aos outros.


"Esse resultado me derrubou", afirmou Scott Halstead, consultor científico sênior da ONG Dengue Vaccine Initiative, que não tem envolvimento com o estudo. "Mais experimentos terão de ser feitos para que entendamos o que aconteceu. "


Os cientistas supõem que uma vacina que contenha os quatro tipos de dengue termine por apresentar resultados desiguais, sublinhando a complexidade de uma doença que vem sendo pesquisada há mais de 70 anos.


Apesar do desfecho negativo do estudo, analistas da indústria farmacêutica dizem que a vacina ChimeriVax da Sanofi continua à frente das rivais em termos de desenvolvimento e ainda está em posição vantajosa.


"Mesmo que não seja perfeita, a ChimeriVax será adotada", disse o analista Eric Le Berrigaud, da empresa Bryan Garnier. "Mas ela não será a vacina que erradicará a dengue", ressaltou.


À espera da fase 3. Em julho, a Sanofi havia divulgado que o teste feito na Tailândia tinha mostrado que a vacina era eficaz contra três dos tipos de dengue, sem dar mais detalhes. Os resultados completos foram divulgado na noite de anteontem no site da revista médica The Lancet.


Apesar da decepção, o líder da pesquisa, Jean Lang, disse que a fase 2b do estudo, que envolveu 4.002 crianças tailandesas, foi encorajadora, porque a vacina protegeu contra os vírus do tipo 1 em 60% dos casos e em 80% a 90% dos casos dos tipos 2 e 3. Curiosamente, uma dose da vacina gerou resultados parecidos com a aplicação de três doses.


"Isso é um marco, mas devemos esperar pelos resultados dos dois grandes testes da fase 3 para termos uma compreensão melhor da vacina", disse Lang. Esses testes estão sendo feitos com a participação de cerca de 31 mil pessoas na Ásia e na América Latina.


Se os resultados na Tailândia tivessem sido melhores, a droga poderia ter sua aprovação acelerada em alguns países. Em vez disso, as atenções agora ficam voltadas para os resultados dos testes da fase 3, e uma possível data de lançamento do imunizante não deve ocorrer antes de 2015. / REUTERS


Fonte: O Estado de S.Paulo - 12/09/2012
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