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sábado, 27 de dezembro de 2014

Células-tronco do próprio paciente cicatrizam córnea



Tratar o embaçamento na visão gerado por uma cicatriz na córnea pode ser tão simples quanto aplicar no local da lesão células-tronco extraídas de uma pequena biópsia do outro olho.

Este experimento teve sucesso com células humanas implantadas em camundongos, em um teste realizado por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh (EUA) e publicado na revista Science Translational Medicine.

Apesar dos inúmeros problemas levantados pelos testes iniciais com tratamentos de células-tronco, a equipe acredita que este estudo traz esperança de diminuir a necessidade de transplantes de córnea.

Células-tronco oculares

Sayan Basu e seus colegas já haviam desenvolvido uma técnica para a obtenção de células-tronco oculares a partir de pequenas biópsias feitas na superfície do olho e em uma região entre a córnea e a esclera, conhecida como limbo. A remoção de tecido dessa região cicatriza rapidamente com pouco desconforto e sem interrupção da visão.

Depois de coletar biópsias de olhos humanos em bancos de doação de órgãos, a equipe ampliou o número de células em uma placa de cultura usando soro humano para nutri-las. Eles realizaram vários testes para verificar se essas células eram, de fato, células-tronco da córnea.

As células-tronco humanas foram então implantadas em camundongos com lesões na córnea. A equipe usou um gel de fibrina, uma proteína encontrada em coágulos de sangue que é comumente utilizada como adesivo cirúrgico, para colar as células no local da lesão.

Sem rejeição

As córneas danificadas dos camundongos cicatrizaram e ficaram claras novamente quatro semanas após o tratamento, enquanto a visão dos animais não tratados permaneceu nublada.

"Usando as próprias células do paciente, retiradas por esse processo do olho não atingido, poderia superar as preocupações com a rejeição [de transplantes]," disse o Dr. Basu. "Isto pode ser muito útil, particularmente em lugares que não têm bancos de tecido corneal para transplante."

A equipe já planeja testar a técnica em humanos.
Fonte: Diário da Saúde

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Transplante de medula elimina HIV do sangue de pacientes

Dois portadores de HIV que receberam transplantes de medula óssea para tratamento de câncer no sangue estão livres do vírus há várias semanas, desde que o tratamento com antirretrovirais foi interrompido. Segundo os médicos, ainda é cedo para dizer que eles estão “curados”, mas os resultados, apresentados ontem numa conferência científica na Malásia, são vistos com muito interesse por pesquisadores que buscam uma cura para a aids.
Os dois pacientes – cujas identidades são mantidas em sigilo, por questões éticas – foram tratados num hospital de Boston, nos EUA. Eles tinham linfoma e receberam transplantes de medula óssea para curar o câncer, não a aids, mas o HIV desapareceu do seu sangue após a cirurgia.
Os transplantes foram realizados entre dois e cinco anos atrás, e os primeiros resultados do efeito sobre o HIV foram apresentados em julho do ano passado, mas naquele momento eles ainda estavam tomando antirretrovirais. A novidade agora é que os pacientes pararam de tomar as drogas – um deles há 15 semanas e o outro, há 7 – e, mesmo assim, não há níveis detectáveis do vírus no sangue deles.
Os novos dados foram publicados na revista Journal of Infectious Diseases e apresentados na reunião da Sociedade Internacional de Aids, em Kuala Lumpur, capital da Malásia.
 “Não podemos ainda falar em cura. O tempo de acompanhamento é muito curto”, ressaltou a presidente da conferência, Françoise Barré-Sinoussi, que foi uma das cientistas responsáveis pela descoberta do HIV, nos anos 1980. Quando um paciente para de tomar os medicamentos, o vírus costuma reaparecer no sangue cerca de um mês depois, mas isso varia de pessoa para pessoa.
 “A doença poderá voltar daqui uma semana, ou daqui seis meses. Só o tempo vai dizer”, ressaltou, também, um dos autores da pesquisa, o médico Timothy Henrich, da Faculdade de Medicina de Harvard e do BrighamWomen’s Hospital, em Boston.
 “Não há prazo para declarar uma cura. Esses pacientes terão de ser acompanhados por toda a vida”, disse ao Estado o infectologista Alexandre Barbosa, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu. “Por isso os resultados são bastante animadores, mas precisam ser vistos com cautela.”
 A medula óssea é o tecido responsável pela produção das células do sangue e do sistema imunológico – que são as células que servem de reservatório e são atacadas pelo HIV. Para receber o transplante, os pacientes precisam ser imunossuprimidos, o que significa que seu sistema imunológico é quase que totalmente destruído, para depois ser reconstruído com as células do doador.
 No caso do câncer no sangue, o procedimento serve para erradicar as células tumorais e substituí-las por células saudáveis. No caso da aids, ocorreria o mesmo com as células imunológicas infectadas pelo HIV.
 Histórico. Os casos dos dois pacientes de Boston lembram o do famoso “paciente de Berlim”, Timothy Brown, que alguns anos atrás foi declarado “curado” da aids após um transplante de medula para tratamento de leucemia. A diferença crucial é que Brown recebeu a medula de um doador que era geneticamente imune ao HIV. Assim, seu sistema imunológico doente foi substituído por outro resistente ao vírus, e a doença desapareceu por completo (até agora, pelo menos).
 Segundo Barbosa, cerca de 1% da população é portadora de uma mutação genética, chamada delta-32, que confere imunidade ao HIV. Elas não produzem uma proteína chamada CCR5, que é uma das “fechaduras” usadas pelo vírus para penetrar nas células humanas (a outra é chamada CD4). “Sem acesso a essas duas fechaduras ele não entra; ponto”, afirma Barbosa.
 No caso dos pacientes de Boston, eles receberam medulas de pessoas “normais”, sem a mutação. Mesmo assim, o HIV desapareceu do sangue. Mas é possível que o vírus esteja “escondido” em certos tecidos do organismo e volte a se multiplicar com o tempo. Neurônios, por exemplo, também possuem os receptores CD4 e CCR5, e podem servir como reservatórios do vírus.
 Implicações. Mesmo que os pacientes sejam eventualmente declarados “curados”, o procedimento não poderá ser usado em grande escala como uma terapia antiaids, alertam os especialistas. Isso porque o transplante de medula óssea é um procedimento de alto risco, com 10% de risco de morte do paciente. Em portadores do HIV, que já têm o sistema imunológico debilitado pela doença, esse risco é ainda maior. “É muito raro um paciente com HIV ser submetido a um transplante de medula. Só mesmo em casos extremos de vida ou morte, como estes de câncer no sangue”, explica Barbosa.
 Ainda assim, para os pesquisadores, é um resultado importante que pode apontar o caminho para estratégias mais eficientes de controle da doença – ou até mesmo o desenvolvimento de vacinas.

Fonte: O Estado de S. Paulo

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Pele de porco ajudará em transplantes e recuperação de queimaduras

Pacientes que precisam de um transplante quase sempre têm de vencer dois obstáculos sérios: em primeiro lugar, a escassez de órgãos, já que os doadores ainda são relativamente raros; e, mesmo quando uma operação ocorre, há o risco de rejeição do órgão transplantado.


Para contornar esse problema duplo no caso dos transplantes de pele, uma equipe que reúne cientistas britânicos e brasileiros está usando técnicas que transformam tecidos suínos num material compatível com o organismo humano.


Além do emprego em queimados, a matriz poderia ser usada também para recuperar a pele de pessoas afetadas por tumores, hérnias ou feridas de difícil cicatrização.


Andaime biológico


Sonia Oliani, bióloga da Unesp de São José do Rio Preto que coordena a vertente brasileira da pesquisa, usa uma palavra inglesa muito empregada em estudos de engenharia de tecidos para explicar a função da pele suína: ela é um scaffold - literalmente, "andaime".


O tecido animal serve, portanto, como uma estrutura de apoio para que o organismo reconstrua com eficácia a área de pele lesada.


O passo mais importante para que esse andaime seja seguro e não coloque em polvorosa o sistema imunológico do paciente transplantado é eliminar as células do porco "doador".


O chamado processo de descelularização da pele suína, conduzido pelos colegas da pesquisadora na Universidade College de Londres, é um daqueles proverbiais segredos guardados a sete chaves, já que se trata de técnica protegida por patente.


"Nem posso falar muito dele", acautela-se Oliani. "O que dá para dizer, no entanto, é que o procedimento remove todo o material genético associado ao tecido suíno. Resta, no fim do processo, uma matriz sem células que, a julgar pelo que indicam os dados preliminares de laboratório, conserva as principais características biomecânicas e estruturais da pele real".


Entre os principais componentes da matriz estão o colágeno, velho conhecido de quem já assistiu a comerciais de produtos de beleza para a pele, e o não tão célebre ácido hialurônico (cujo uso cosmético também tem-se tornado frequente). Ambas as moléculas são peças cruciais do sistema de "preenchimento" entre as células da pele e de diversos outros órgãos, conferindo elasticidade e vigor ao tecido.


Na pele, as moléculas de colágeno aparecem em conjuntos de fibrilas, as quais, junto com a queratina, conferem ao tecido suas propriedades mecânicas naturais e, quando em menor abundância ou qualidade, levam às rugas. Já o ácido hialurônico age como promotor da migração e proliferação celular, além de ajudar a manter o colágeno em boas condições.


Bancos de pele


Demonstrar a eficácia desse tipo de tecnologia, bem como sua viabilidade econômica, seria particularmente importante no contexto brasileiro, afirma a bióloga, porque os bancos de pele, com tecido proveniente de doadores humanos, são raros, estando presentes apenas na capital paulista, em Porto Alegre e no Recife.


A equipe de São José do Rio Preto está chegando ao fim da primeira fase de testes da pele descelularizada, realizada com ratos da linhagem Wistar, uma das mais utilizadas na pesquisa biomédica. "Já estamos retirando e examinando os primeiros implantes e transplantes, passados quatro meses desde a operação inicial", afirma Sonia.


Outros estudos de engenharia tecidual têm trabalhado com estratégias mais complexas, nas quais o andaime é "pré-semeado" com células-tronco capazes de dar origem ao tecido que se deseja reconstruir antes de a estrutura ser colocada no organismo receptor. Mas a bióloga diz que o plano, por enquanto, é estimular a capacidade de regeneração natural.


Anexina A1


Enquanto aperfeiçoa o uso da matriz de pele suína, a equipe da Unesp também investiga uma molécula que pode se revelar uma poderosa aliada dos transplantes.


Trata-se da proteína anexina A1, que tem propriedades anti-inflamatórias e facilita a proliferação celular, essencial quando as conexões entre o tecido transplantado e o organismo receptor estão sendo construídas.

Sônia trabalha há anos com o britânico Roderick Flower, descobridor da anexina A1 e professor de farmacologia da Universidade Queen Mary.


"A ideia é administrar a anexina antes do transplante, o que já vai proteger o organismo de parte dos efeitos da operação e facilitar a recuperação estrutural e os processos regenerativos do órgão", diz Sonia. Há resultados encorajadores dessa estratégia em transplantes renais, por exemplo. "Estamos aproveitando esse trabalho nos nossos estudos com transplantes de pele", diz ela.

Fonte: Diário da Saúde
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