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domingo, 28 de julho de 2013

Anticoncepção de Emergência, perguntas e respostas


CONTEÚDO

1. O que é Anticoncepção de Emergência?
2. Evitar a gestação após a relação sexual é um método novo?
3. Em quais situações a Anticoncepção de Emergência está indicada?
4. Por que a Anticoncepção de Emergência é importante?
5. Como é feita a Anticoncepção de Emergência?
6. Existem diferenças a considerar na escolha do método Yuzpe ou do levonorgestrel?
7. A Anticoncepção de Emergência é eficaz? Qual o risco de falha?
8. Quais são os efeitos colaterais da Anticoncepção de Emergência?
9. Como proceder se o vômito ocorrer nas primeiras horas após o uso da Anticoncepção
de Emergência? 
10. A Anticoncepção de Emergência produz efeitos ou complicações para a menstruação?
11. Existem contra-indicações para a Anticoncepção de Emergência?
12. Por que a Anticoncepção de Emergência é considerada tão segura para a mulher?
13. Nos casos de falha da Anticoncepção de Emergência ou de uso acidental durante a gestação,
que riscos ela oferece para o feto?
14. Se a mulher apresenta atraso menstrual, mas não tem diagnóstico laboratorial de certeza de
gravidez, e mesmo assim necessitar usar a Anticoncepção de Emergência, o que deve ser feito?
15. Qual o mecanismo de ação da Anticoncepção de Emergência?
16. A Anticoncepção de Emergência pode atuar como método abortivo? 
17. Existem riscos de a Anticoncepção de Emergência ser usada de forma abusiva ou descontrolada?
Isso não aumentaria os riscos para as DST/HIV?
18. E quanto aos adolescentes? Não há maior risco de substituição do preservativo pela
Anticoncepção de Emergência?
19. O profissional que prescreve a Anticoncepção de Emergência para a adolescente pode estar
fazendo um ato ilegal ou antiético?
20. Há contra-indicação para a Anticoncepção de Emergência em adolescentes?
21. Qual a diferença entre fecundação e concepção?
22. Por que, mesmo frente a esses conceitos, se observam resistências para o uso da Anticoncepção
de Emergência? 
23. A Anticoncepção de Emergência está normatizada e regulamentada para uso no Brasil? 
24. Como fazer aconselhamento em Anticoncepção de Emergência? Quais pontos são importantes?
25. Que papel cabe aos setores públicos com relação à Anticoncepção de Emergência?

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Jovens usam pílula do dia seguinte sem conhecimento

A anticoncepção de emergência, mais comumente chamada de “pílula do dia seguinte”, é bastante conhecida e usada por adolescentes do ensino médio. Uma pesquisa da Escola de Enfermagem (EE) da USP realizada em escolas públicas e particulares na cidade de Arujá (Grande São Paulo) com 705 jovens, entre 15 e 19 anos, aponta que 94,2% deles já ouviram falar da pílula e 57,7% já fizeram uso deste método contraceptivo. O estudo também constatou que a maioria das vezes em que a pílula do dia seguinte foi usada (59,3%) foi associada a outro método.

As meninas pesquisadas tinham
conhecimento maior sobre o remédio

Formada em obstetrícia, Christiane Borges do Nascimento, autora da pesquisa, se interessou pelo estudo dos métodos contraceptivos na adolescência ainda em sua graduação. Segundo ela, a escolha por esse grupo foi porque “os adolescentes têm uma característica muito particular”. “Eles têm muitas alternâncias na estabilidade relacional”, relata.

A pesquisa foi constituída de um teste sobre o conhecimento da pílula do dia seguinte e de questões sobre seu uso entre os entrevistados, além de um questionário socioeconômico. Sobre a utilização, 57,7% do total de adolescentes responderam já ter tomado o fármaco. Essa porcentagem não variou significativamente entre os alunos de escola particular e pública, sendo a diferença entre esses grupos menor que 1%. Este resultado, segundo Christiane, tem duas vertentes:  “tem um lado bom, porque significa que os adolescentes estão se prevenindo de uma gravidez não planejada mas, ao mesmo tempo, pode indicar algumas descontinuidades contraceptivas.”

De acordo com a obstetriz, os jovens não fizeram uso abusivo da anticoncepção de emergência, já que metade deles usou o método apenas uma vez no último ano. Na lista dos fatores que motivaram o uso está a insegurança, em primeiro lugar, com 31,6%. O esquecimento em relação ao uso de outro método contraceptivo ocupa o segundo lugar, correspondendo a 27,1% das citações, enquanto 20,3% responderam que o outro recurso usado para prevenir gravidez falhou.

Compreensão
O questionário a respeito do conhecimento da contracepção de emergência era uma espécie de prova composta de dez afirmativas com as alternativas “Verdadeiro”, “Falso” e “Não sei”. A quase totalidade dos alunos entrevistados (94,2%) já havia ouvido falar do fármaco. No entanto, a maioria não soube responder adequadamente às afirmativas. Os pontos em que houve menor compreensão foi o tempo de eficácia da pílula após a ingestão e o período após a relação sexual até o qual ela pode ser usada.
“O nome da pílula do dia seguinte é um pouco ingrato”, considera a pesquisadora. “Às vezes a pessoa acha que só pode ser usada no dia seguinte à relação sexual, mas não. Antes o Ministério da Saúde preconizava que ela só poderia ser usada até 72 horas, ou seja, até três dias após a relação sexual desprotegida”, descreve Christiane, ressaltando que “hoje já se sabe que ela pode ser utilizada até cinco dias após a relação”. Os alunos de escolas particulares apresentaram maior número de acerto do questionário.

Durante a coleta de dados, a obstetriz aplicou oficinas nas escolas sobre os métodos contraceptivos, dando enfoque à pílula do dia seguinte, tanto para os alunos, quanto para os professores, que sentiram a necessidade de conhecer mais sobre o tema para responder aos questionamentos dos adolescentes. Na pesquisa, constatou-se que 72,6% dos jovens nunca participou de palestra na escola que tratasse sobre a pílula.

A escola foi o segundo espaço de maior esclarecimento sobre o assunto, mas “não porque a escola dava instruções para os adolescentes, mas porque era um ambiente em que eles se encontravam e trocavam informações”, explica Christiane. A maior fonte de conhecimento a respeito dela foram os amigos, totalizando 48,5%.

Em relação ao modo de obtenção da pílula do dia seguinte, 74,6% daqueles que já haviam utilizado compraram o medicamento em farmácias, contra apenas 6,8% que adquiriram nos postos de saúde. Christiane comenta que muitos serviços de saúde ainda não disponibilizam, principalmente para o adolescente. Para ela, “ainda existe um conceito errado de que a pílula do dia seguinte é abortiva”. Além disso, a sua distribuição ainda é escassa no estado de São Paulo, local em que foi feito o estudo.
O estudo da EE também aponta que as meninas apresentaram um conhecimento maior sobre o fármaco, pois, segundo Christiane, “ainda existe uma carga que a contracepção é ainda obrigação da mulher e também pelo fato de a pílula do dia seguinte ser de uso feminino”.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Fonte: USP

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